Núcleo Softex Campinas

Home Imprensa Notícias Países vizinhos ganham terreno na prestação de serviços de TI no Brasil
Países vizinhos ganham terreno na prestação de serviços de TI no Brasil PDF Imprimir E-mail
Qui, 12 de Janeiro de 2012 09:38 Escrito por Softex
VP do Gartner acredita que, falta de gente qualificada, fará com que CIO comece a considerar o offshore como alternativa

O Brasil ambiciona ser um dos maiores vendedores de serviços de TI do mundo. O potencial existe. O País figura em rankings que listam os mais atrativos para offshore. Mas a verdade é que, por enquanto, o mercado local se caracteriza mais como importador do que exportador de serviços.

Como provedor, o País perde terreno inclusive para países vizinhos, como Argentina, embora se destaque quando se trata de serviços de alto valor agregado que não estejam disponíveis em outras localidades. “Mas a cada dia que passa o custo faz com que isso se reduza. Além do que, há uma forte demanda interna”, pontua Carlos Xavier, responsável pelas operações da Stefanini na Argentina.

Sérgio Pessoa, diretor de desenvolvimento de mercados da Associação Brasileira das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), dá uma ideia do desequilíbrio. Ele diz que enquanto o mercado brasileiro de IT BPO cresceu 44% entre 2008 e 2010, os serviços prestados a partir do Brasil (IT BPO export) cresceram apenas 9%, abaixo do potencial. O lado positivo, segundo ele, é que a força interna continua atraindo empresas e centros de desenvolvimento para o País. Além disso, ações governamentais na área da educação e de tributos, como a política industrial constante do Plano Brasil Maior geram expectativas de redução de custos e de solução para carência de mão de obra.

Enquanto isso não acontece, quem compra ou vende serviços de TI volta os olhos para o verde gramado dos vizinhos. Muitos fornecedores locais já montaram suas bases em países latino-americanos. É o caso da Stefanini e da Asyst International. Na esteira do “nearshore”, elas enxugam custos – até 50% menores na Argentina do que no Brasil – e atendem a exigências de multinacionais que querem fornecedor global, com similar nível de serviço.

Os provedores contam, ainda, com o idioma espanhol como facilitador para atendimento de grande fatia do mercado nas Américas, inclusive nos Estados Unidos. E se desviam do sério desfalque de mão de obra no Brasil.

Falta gente

A dificuldade de preencher os quadros de TI no nível de qualidade necessário é fato em diversos setores no Brasil, como lembra o vice-presidente do Gartner, Cassio Dreyfuss. “Isso tende a se agravar nos próximos anos. CIOs que nunca se interessaram pelo offshore começam a enxergar o modelo como alternativa”, acredita.

Dados da Brasscom revelam que há no Brasil carência de 70 mil a 90 mil profissionais de TI, defasagem que deverá superar 200 mil até 2013. “Associado a fatores como custos trabalhistas e valorização do real, isso torna os serviços de fato mais caros no Brasil do que em países como Argentina, Colômbia e Chile”, diz o diretor da Brasscom.

Para Djalma Petit, diretor de mercado da Softex, além de insuficiente, a mão de obra no Brasil é inadequada. “O profissional sai da faculdade mas não pode ser aproveitado pela empresa sem antes passar por treinamento”, frisa. Como consequência, cresce o assédio aos capacitados e a rotatividade. “As empresas começam a ter dificuldade de entregar a tempo seus projetos, a margem cai e o País fica menos competitivo”, resume.

Na Asyst International, o vice-presidente Oswaldo Brancaglione sente na pele o problema. Ele diz que pessoas que falam outros idiomas sumiram no Brasil. “Faz dias que procuramos, sem sucesso, quem entende de informática e fale sueco, norueguês e dinamarquês”, ressalta. Ele descarta “importar” profissionais, entre outros motivos, pelos altos salários. “Não compensa para o cliente”, explica. A empresa ganhou competitividade prestando serviços, em especial service desk, a partir da Argentina a um custo 30% a 50% menor que no Brasil. “Com a diferença de preço, a demanda da Espanha que era atendida a partir do Brasil foi transferida para a Argentina”, comenta.

Brancaglione não vê diferenças técnicas entre os países e diz que o preço ainda é o critério que mais pesa nas decisões dos CIOs. Os cuidados do contratante para se proteger, como documentação de desenvolvimento de sistemas e garantias de entrega do que foi pedido, no prazo e com níveis de qualidade, independem de o parceiro estar ou não no mesmo país, avalia o executivo.

Xavier, da Stefanini, testemunha que muitas empresas brasileiras internacionalizadas buscam tirar seus centros de suporte do Brasil, fugindo do custo e atrás de boa comunicação que torne o atendimento ou desenvolvimento independentes da localização. Ele confirma que há maior disponibilidade de mão de obra em países da região, inclusive bilíngue (português, além do espanhol), e a capacitação sai mais em conta.

A partir da Argentina, a Stefanini atende aos setores brasileiros de óleo e gás, bancos e laboratórios. A competitividade já fez cliente abandonar legado no Brasil. “A administração de data center foi transferida. O cliente já tinha amortizado os custos de equipamentos, mas a manutenção no Brasil é cara. Eles preferem investir em equipamentos novos comprados na Argentina a manter o pessoal”, revela Xavier.

Receios e barreiras

Enquanto fornecedores tecem loas ao offshore, o fato é que muitas empresas compradoras ainda enfrentam dúvidas sobre qual é o melhor país para outsourcing. É para ajudá-las que institutos como o Gartner elencam critérios a serem considerados e pontua nações.

Mas para Xavier, um dos principais receios das empresas brasileiras é a falta de contato do usuário com o desenvolvedor ou com o analista. “Isso decorre de uma cultura de manutenção de conhecimento dentro da empresa e de algumas experiências mal sucedidas com offshore em outros continentes”, diz. Contra os receios, ele prescreve boa organização de processos, documentação bem feita e dentro de padrões como CMMI ou ITIL e adequado monitoramento e registro. Também ajuda se os fusos horários são próximos e as culturas similares.

Douglas Florêncio, gerente de soluções/integração de sistemas da Atos, também destaca como premissa básica a clara documentação dos sistemas e serviços. Quanto ao temor de que o modelo de offshore implique falta de controle das atividades que são exercidas remotamente, ele diz que é mitigado com o uso de modelo front-office/back-office de serviços. “Assim, as empresas sempre terão o amparo dos consultores locais”, diz. A fornecedora tem observado aquecimento na demanda por fábrica de testes de software na Argentina, onde mantém operação.

Fonte: IT Web
banner_dt_menina_sorrindo

Newsletter

Receba novidades do Núcleo Softex Campinas em seu email.

Nome:

E-mail:

Enquete

O que você achou do site da Softex Campinas?
 
Todos os Direitos Reservados © 2011 Softex Núcleo Campinas.